Gravidez

A Busca por Ginecologista e Obstetra

Mais ou menos na mesma época em que comecei a conhecer o catolicismo, conheci também um blog feminista. Por mais estranho que pareça, essas duas coisas vão se cruzar muito em breve neste post.

Um dia, em uma das postagens do blog, li pela primeira vez sobre violência obstétrica (leia mais sobre isso). Fiz uma verificação rápida com algumas amigas que já tinham filhos e notei que o problema era real e frequente. Fiz uma nota mental para acompanhar o assunto e me preparar para quando fosse a minha vez de parir. De lá pra cá o assunto passou a ser abordado na mídia tradicional e, no meu entendimento, a popularização do termo ‘parto humanizado’ veio com a divulgação do tema ‘violência obstétrica’. Guardemos essa parte da história.

Com a minha conversão ao catolicismo, veio a noção de planejamento familiar natural (PFN), métodos contraceptivos baseados no ciclo natural de fertilidade da mulher e assim por diante. Com isso, começou a minha dificuldade em encontrar uma ginecologista que atendesse às minhas necessidades, como me orientar sobre o método Billings, ou ao menos que respeitasse a minha decisão de usá-lo, sem ares de desdém.

As histórias se juntam em 2016, quando fiquei grávida. Eu ainda nem tinha encontrado uma ginecologista que me apoiasse no PF, quando adicionei os quesitos: ginecologista que fosse também obstetra (descobri que nem todo gine é obstetra), que fosse a favor do parto humanizado (incluindo aí o acompanhamento no parto normal, se essa fosse a minha decisão), que atendesse pelo plano de saúde, que tivesse disponibilidade na agenda para no máximo dali um mês e que atendesse num raio relativamente próximo da minha casa (no caso, algum lugar entre Leblon e Tijuca). Ou seja, requisitos praticamente impossíveis de conciliar e, infelizmente, a conta não fechou… Foram semanas e semanas pesquisando os nomes na internet, na lista do plano de saúde, ligando para os consultórios, pedindo recomendação para as amigas. No fim, escolhi um obstetra que não atendia pelo meu plano, mas tinha ótimas indicações, baixo índice de cesáreas e atendia na Tijuca.

Além das questões de contracepção e parto, há um outro tema que frequentemente entra em conflito com a moral católica nos consultórios ginecológicos. Esse tema é a infertilidade. O conflito começa já em relação a alguns dos exames prescritos para a avaliação de infertilidade e se estende até alguns tratamentos para engravidar, como a fertilização in vitro e inseminação artificial. Eu sei, mas não por experiência própria, que há uma grande dificuldade em encontrar médicos no Rio que estejam dispostos a buscar alternativas.
A conclusão é que, no campo da sexualidade e fertilidade, há uma lacuna significativa de profissionais preparados e dispostos a atender essa demanda ‘específica’. Minha ideia nesse texto não é explorar o que está por trás de cada um desses problemas, mas sim apresentar algumas ferramentas que utilizei na busca do meu médico, indicar algumas das minhas fontes de informação e, principalmente, abrir aqui um espaço de dicas e sugestões. Quem sabe em breve nós não conseguamos compilar um material robusto de dicas para driblar as questões levantadas e, mais ousado ainda, não conseguamos engajar profissionais da saúde a nos adotar como público alvo. Garanto que pacientes, grávidas e tentantes, é que não irão faltar entre nós! rss

Vamos às fontes que utilizei pra encontrar meu G.O.:

  1.  Nossa rede de amigas. Acho que é a melhor forma de encontrar nossos médicos. Se você tem alguma sugestão, mande pra gente na aba ‘Indicações’.
  2. Lista colaborativa com o índice de cesárea realizada pelos médicos do Rio, por plano de Saúde. Chamo atenção para o fato de que quase 70% dos médicos realizam 100% de cesáreas e que, em alguns casos, um mesmo médico tem baixo índice de cesárea com um plano de saúde, mas altíssimo índice em outro plano. Para acessar a planilha, clique aqui. A ANS também divulga esses dados (Link).
  3. Lista colaborativa sobre ginecologistas, com o nome dos médicos e alguns comentários sobre os pontos fortes e fracos (Link).
  4. Sites com relatos de parto e muitas outras informações pertinentes (conhecimento é poder!!). Traz informações, por exemplo, sobre a legislação que dá direito de a gestante ter um acompanhante no parto, 100% do tempo. No livro da  Kimberly Hanh, em um dos capítulos em que ela fala sobre todos os seus partos, ela descreve a angústia que foi não poder contar com o marido Scott em um deles, porque o hospital não permitiu a entrada dele na centro cirúrgico.
  5. Filme/Documentário ‘O renascimento do parto’. É uma boa fonte de informações para entender o cenário nacional/carioca e para encontrar motivação para persistir na busca do médico (Veja o Trailer).
  6. Sites sobre o Método Billings e o Método Creighton. Não tenho nenhum endereço específico para indicar. Fui lendo o que achei no Google. rss

Bom, da minha parte é isso… Além do que comentei, tem alguns temas que acho interessantes, mas não tenho muita experiência no assunto. Vou deixar a lista aqui, caso queiram comentar.

  • Parece que os médicos dos planos de saúde cobram a parte para acompanhar parto normal e é muito caro! Isso procede? Como funciona?
  • Há formas de conseguir restituição desse dinheiro (Link).
  • Sobre tratamento de infertilidade aceitos pela Igreja.  No livro ‘Minhas Irmãs, as Santas’, a autora Colleen C. Campbell comenta que, depois de alguns anos e muitas decepções, ela conseguiu encontrar um médico nos EUA que estivesse disposto a buscar tratamentos apenas dentro dos limites morais católicos. Vou tentar descobrir quais são.

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